quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A ESCRITA DA MISHNÁ.

*Deus transmitiu a Moisés duas Torot (plural de Torá), uma é a TORÁ escrita e a outra a TORÁ oral.
1º Torá são as leis de Deus passadas a Moisés, que tem como o centro de tudo o Pentateuco.
2º Torá é exclusiva aos judeus, eram preceitos divinos passados de geração a geração, preceitos que não foram escritos. Com o passar do tempo e a miscigenação do povo de Israel, a Torá oral foi perdendo a sua essência e sendo modificada. Para conservar a Torá oral para as nações seguintes, decidiram escrevê-la, surgiu então a Mishná.
Tanaimà foi um grupo de rabinos que lutaram a favor da escrita da segunda Torá. A Mishná foi escrita por volta do ano 200 pelo Rabino Judá HaNasi.
Guemará são os comentários rabínicos sobre o Mishná.
Os Judeus juntaram o Mishná com o Guemará e deram então origem ao Talmude, que se tornou a fonte da lei Judaica. O talmude “ou talmud em hebraico” significa: caminhar, evoluir.
Obs: muitas vezes o talmude é chamado de Shas (uma abreviação de Shisha ou Sedarim), ou seja, as seis ordens (que é o mishná).

· Para entendimento da segunda parte deste estudo, é necessária a explicação de algumas palavras.
Tefilin = deriva de Tefilá que significa: Prece, súplica. São duas pequenas caixas quadradas de couro de animal “permitidos para consumo”. Estas caixas devem formar um quadrado perfeito e as tiras de couro devem ser pintadas de preto, sem qualquer falha. Dentro de cada caixa encontram-se “escritos” em forma de pergaminho (que também é feito de coro de animal).
Shemá = Era uma oração que todo judeu recitava duas vezes ao dia. Esta recitação era chamada de Keriat Shemá. Era meio cantarolada em voz alta. Era também entoada pelos sacerdotes no templo e pelo povo na sinagoga e nas praças. Normalmente era recitado de manhã e a noite seguindo o preceito da Torá: Estas palavras as inculcarás aos teus filhos e delas falarás …ao deitar-te e ao levantar-te ( Dt 6: 7). O shemá tinha três partes. A primeira era uma súplica mais individual (Dt 6: 4-9) e refere-se ao amor em estado puro, sublime; a segunda referi ao coletivo (Dt 11, 13-21) e ao amor praticado. A terceira parte está em Nm 15, 37-41 e era uma prece de bênção. A recitação do shemá era envolvida por toda uma ritualidade que incluía o uso do kipá, ou seja, solidéu (usado na cabeça), os ombros cobertos com o talit e outros pré-requisitos opcionais. Nesta prece estava sintetizada toda a lei e todos os profetas.

O Tratado Brachót (‘Bençãos’) é constituído por nove capítulos dos quais só os quatro últimos falam de bênçãos propriamente ditas. Os três primeiros contêm as regras para a recitação do shemá, e os próximos dois as regras para recitação da tefilá (Capítulo quatro, Capítulo cinco). O Tratado primeiro estabelece as horas em que o shemá deve ser recitado; primeiro de noite e depois de manhã - de preferência na sinagoga - e então especifica um número de condições para sua recitação e quais são as pessoas que estão isentas desta recitação. De passagem, também são discutidas as condições em que a Torá pode ser estudada e tefilin usado. Então, o Tratado segue com a discussão sobre a recitação da tefilá em linhas similares. O Capítulo seis primeiro cita o princípio pelo qual antes de se comer uma pessoa deve fazer uma benção, e depois estabelece os tipos de benção para diferentes tipos de alimentos. O Capítulo sete trata especificamente do agradecimento antes e depois das refeições, e da etiqueta à mesa de forma geral. Em particular, trata do zimum ou o convite para se unir ao agradecimento. O Capítulo oito estabelece as regras de lavagem das mãos quando se for comer, a benção sobre o copo de vinho e a havdalá quando o Shabat termina. O Capítulo nove formula as bençãos que devem ser proclamadas em um grande número de ocasiões.
O Tratado de Brachót contém mais Agadot em relação ao seu tamanho do que qualquer outro tratado. O longo Capítulo nove é em sua maior parte "agádico" e se faz notar pelo longo apêndice sobre interpretação de sonhos. Outra pérola da Agadá é a querela entre o Raban Gamliel e o R. Yeoshua no Capítulo quatro. O Capítulo seis ilumina enormemente os costumes
alimentares dos Judeus da Babilônia e o Capítulo oito mostra que os costumes dos judeus palestinos à mesa eram muito inspirados nos costumes romanos.
Por algum motivo desconhecido, o tratado de Brachót está na "Ordem" de Zeraim, ou seja, Sementes. Nas edições completas do Talmud, este tratado sempre figurou como o primeiro tratado. A razão para isso é clara - como sugeriu Maimônides - pois os preceitos nele tratados - a recitação do shemá e da tefilá e as bençãos - figuram entre os primeiros que chamam atenção de um judeu em sua vida cotidiana, e também são um dos primeiros preceitos ensinados à criança judia. Por conter poucas passagens sobre discussões legais, o tratado de Brachót é um dos tratados mais fáceis, e por isso, junto com o fato de possuir inúmeras Agadot, talvez este seja o tratado mais indicado para se iniciar o estudo do Talmud.

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