quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

OS QUERUBINS

Quem são os querubins?
è Querubim – Do grego “cheroubim” (plural de “Cheroub”), refere-se a um mensageiro celeste alado. Trata-se, ao que tudo indica, de uma transliteração do hebraico ou do aramaico, daí a diversidade de terminações no plural.
Os querubins são geralmente representados como criaturas celestiais dotadas de asas, mas também com pés e mãos. Ao longo do Antigo Testamento, os querubins são representados como seres simbólicos e celestiais. No livro de Gênesis, por exemplo, eles aparecem como guardiões da entrada do Éden, para impedir a aproximação de Adão e Eva da árvore da vida, pois o primeiro casal havia sido expulso do Paraíso. “E (Deus) havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden” (Gn. 3.24). Semelhante função é vista na representação tipológica do tabernáculo. Ali, na divisão do Santo dos Santos, os querubins, feitos de madeira e trabalhados em ouro puro, são colocados em cada extremidade do propiciatório que cobre a arca da aliança com as faces voltadas um para o outro, e cobrindo a arca com as asas estendidas (Ex.25:18-22). Isto, sem sombra de dúvida, sugere o protecionismo dos querubins aos objetos sagrados na arca, e simboliza também, a presença de Deus, cuja glória se manifesta entre eles (Lv. 16:2).
Os querubins adornavam também as cortinas interiores do tabernáculo e o véu que separavam o Santíssimo do lugar Santo (Êx. 26:1,31), e tipificavam as hostes celestiais do Senhor dos exércitos (1 Cr.16:6). Encontramos também, pela leitura da Bíblia, outra figura desses seres celestiais, agora no templo de Salomão. Ali, no chamado oráculo do templo, foram colocados dois querubins, cujas asas, cada uma medindo seis metros, estendiam-se por toda a largura do santuário (1 Rs. 6:22-28). Em outras palavras, a sugestão desse quadro é que os querubins servem de fato como guardiões do trono de Deus.
Na maioria das citações bíblicas sobre este assunto, os querubins aparecem sempre ao redor do trono de Deus. Em Salmo 80.1, lemos o seguinte texto: “O Pastor de Israel, dá ouvidos, tu, que guias a José como a um rebanho, que te assentas entre os querubins, resplandece”, e, em Salmo 99.1, as Escrituras afirmam que o Senhor está “entronizado entre os querubins”. Daí a razão por que no tabernáculo, e depois no templo, os querubins eram colocados sobre as extremidades do propiciatório que cobria a arca da aliança, símbolo da presença de Jeová.
Numa de suas inspirações poéticas, Davi, em segundo Samuel 22.11, representa Jeová montado sobre querubins e voando sobre as asas do vento. A própria Bíblia compara a velocidade de vôo dos querubins com a do próprio vento (Sl.18:10).
Somente Ezequiel, dentre todos os profetas do Antigo Testamento, menciona a palavra. Este profeta, junto ao rio Quebar, teve uma visão da glória divina e também dos querubins, cada um deles tinha quatro faces e quatro asas (Ez. 10:1-22). Esses querubins do capítulo 10, são as mesmas criaturas que ele viu no capítulo 1, cada um com quatro faces com rosto de homem, rosto de leão, rosto de boi e rosto de águia (Ez 1:5-12). Já na visão do profeta sobre a Jerusalém restaurada (Ez.41:18,19), as semelhanças esculpidas dos querubins tinham apenas duas faces, uma de homem e outra de leão novo.
Ezequiel também mostra no seu livro que aqueles querubins de ouro sobre os quais descansara a glória de Deus de Israel estavam abandonados agora (Ez. 9.3), e o Senhor se encontrava entre os querubins vivos que cumpriam todas as vontades dele (Ez. 1:5), pois Ele mudara o lugar do seu trono para fora do templo. Em Ezequiel, os querubins também guardam a presença de Deus (Ez. 28.14-16).
A propósito, com relação ao trono-carro descrito em Ezequiel 1, é bom ressaltar que os rabinos consideravam esta passagem uma mera especulação. Com efeito, o Mishná proibiu o emprego litúrgico dos capítulos de Ezequiel que fazem esta descrição. Mas a verdade é que, embora não conheçamos profundamente as qualidades morais e éticas dos querubins, eles aparecem sempre associados com Deus, e lhes são protetores do trono de Deus e seus embaixadores excepcionais.
No Novo Testamento, a palavra ocorre tão-somente em Hebreus 9.5, onde aparece a frase “querubins da glória”. No apocalipse é provável que as “criaturas viventes” (Ap. 4:6-8) ali citadas, pertençam à categoria dos querubins.


Rodrigo de Assis Dutra.
Deus abençoe a todos.

A ESCRITA DA MISHNÁ.

*Deus transmitiu a Moisés duas Torot (plural de Torá), uma é a TORÁ escrita e a outra a TORÁ oral.
1º Torá são as leis de Deus passadas a Moisés, que tem como o centro de tudo o Pentateuco.
2º Torá é exclusiva aos judeus, eram preceitos divinos passados de geração a geração, preceitos que não foram escritos. Com o passar do tempo e a miscigenação do povo de Israel, a Torá oral foi perdendo a sua essência e sendo modificada. Para conservar a Torá oral para as nações seguintes, decidiram escrevê-la, surgiu então a Mishná.
Tanaimà foi um grupo de rabinos que lutaram a favor da escrita da segunda Torá. A Mishná foi escrita por volta do ano 200 pelo Rabino Judá HaNasi.
Guemará são os comentários rabínicos sobre o Mishná.
Os Judeus juntaram o Mishná com o Guemará e deram então origem ao Talmude, que se tornou a fonte da lei Judaica. O talmude “ou talmud em hebraico” significa: caminhar, evoluir.
Obs: muitas vezes o talmude é chamado de Shas (uma abreviação de Shisha ou Sedarim), ou seja, as seis ordens (que é o mishná).

· Para entendimento da segunda parte deste estudo, é necessária a explicação de algumas palavras.
Tefilin = deriva de Tefilá que significa: Prece, súplica. São duas pequenas caixas quadradas de couro de animal “permitidos para consumo”. Estas caixas devem formar um quadrado perfeito e as tiras de couro devem ser pintadas de preto, sem qualquer falha. Dentro de cada caixa encontram-se “escritos” em forma de pergaminho (que também é feito de coro de animal).
Shemá = Era uma oração que todo judeu recitava duas vezes ao dia. Esta recitação era chamada de Keriat Shemá. Era meio cantarolada em voz alta. Era também entoada pelos sacerdotes no templo e pelo povo na sinagoga e nas praças. Normalmente era recitado de manhã e a noite seguindo o preceito da Torá: Estas palavras as inculcarás aos teus filhos e delas falarás …ao deitar-te e ao levantar-te ( Dt 6: 7). O shemá tinha três partes. A primeira era uma súplica mais individual (Dt 6: 4-9) e refere-se ao amor em estado puro, sublime; a segunda referi ao coletivo (Dt 11, 13-21) e ao amor praticado. A terceira parte está em Nm 15, 37-41 e era uma prece de bênção. A recitação do shemá era envolvida por toda uma ritualidade que incluía o uso do kipá, ou seja, solidéu (usado na cabeça), os ombros cobertos com o talit e outros pré-requisitos opcionais. Nesta prece estava sintetizada toda a lei e todos os profetas.

O Tratado Brachót (‘Bençãos’) é constituído por nove capítulos dos quais só os quatro últimos falam de bênçãos propriamente ditas. Os três primeiros contêm as regras para a recitação do shemá, e os próximos dois as regras para recitação da tefilá (Capítulo quatro, Capítulo cinco). O Tratado primeiro estabelece as horas em que o shemá deve ser recitado; primeiro de noite e depois de manhã - de preferência na sinagoga - e então especifica um número de condições para sua recitação e quais são as pessoas que estão isentas desta recitação. De passagem, também são discutidas as condições em que a Torá pode ser estudada e tefilin usado. Então, o Tratado segue com a discussão sobre a recitação da tefilá em linhas similares. O Capítulo seis primeiro cita o princípio pelo qual antes de se comer uma pessoa deve fazer uma benção, e depois estabelece os tipos de benção para diferentes tipos de alimentos. O Capítulo sete trata especificamente do agradecimento antes e depois das refeições, e da etiqueta à mesa de forma geral. Em particular, trata do zimum ou o convite para se unir ao agradecimento. O Capítulo oito estabelece as regras de lavagem das mãos quando se for comer, a benção sobre o copo de vinho e a havdalá quando o Shabat termina. O Capítulo nove formula as bençãos que devem ser proclamadas em um grande número de ocasiões.
O Tratado de Brachót contém mais Agadot em relação ao seu tamanho do que qualquer outro tratado. O longo Capítulo nove é em sua maior parte "agádico" e se faz notar pelo longo apêndice sobre interpretação de sonhos. Outra pérola da Agadá é a querela entre o Raban Gamliel e o R. Yeoshua no Capítulo quatro. O Capítulo seis ilumina enormemente os costumes
alimentares dos Judeus da Babilônia e o Capítulo oito mostra que os costumes dos judeus palestinos à mesa eram muito inspirados nos costumes romanos.
Por algum motivo desconhecido, o tratado de Brachót está na "Ordem" de Zeraim, ou seja, Sementes. Nas edições completas do Talmud, este tratado sempre figurou como o primeiro tratado. A razão para isso é clara - como sugeriu Maimônides - pois os preceitos nele tratados - a recitação do shemá e da tefilá e as bençãos - figuram entre os primeiros que chamam atenção de um judeu em sua vida cotidiana, e também são um dos primeiros preceitos ensinados à criança judia. Por conter poucas passagens sobre discussões legais, o tratado de Brachót é um dos tratados mais fáceis, e por isso, junto com o fato de possuir inúmeras Agadot, talvez este seja o tratado mais indicado para se iniciar o estudo do Talmud.